Metamorfose Efémera

Sabes, tinha tanto para te dar. Tantas coisas para fazer e dizer.

 

Para nós. Por nós.

 

Não tive tempo e agora é tarde de mais. Para ti, para todos.

 

Quero que voltes mas sei que não o farás. Jamais.

 

Como jamais voltarei a sofrer da mesma forma.

 

 

Onde estás?

 

Não onde queria que estivesses.

 

Não onde deverias estar.

 

Não aqui.

 

 

Abandonaste-me sem olhar para trás.

 

Perdi-me.

 

Sou uma sombra do que fui, uma ilusão do que poderia ter sido.

 

Irrelevante.

 

Insignificante.

 

 

Adormeci e não estou preparada para acordar.

 

A luz é intensa, demasiado intensa. Apaga-a, agora pertencemos à escuridão.

 

Não deixes um só fio de luz penetrar a minha alma.

 

Não deixes um só fio de esperança acalentar o meu coração.

 

Por muito que doa, é o fim.

 

 

Que importa?

 

(Estou sozinha)

 

Mas importa. Importará sempre.

 

(Estou sozinha)

 

Onde estás?

 

Sinto falta da tua amizade.

 

Sinto falta de ti.

 

(Adivinha, tenho sentimentos)

 

Volta.

 

Quero trazer-te mas não consigo!

 

Os meus braços são fracos.

 

A minha mente é débil.

 

Volta.

 

Vem segurar-me a mão e ensinar-me a voar.

 

Como sempre.

 

Bem, como antes.

 

 

Não partas rumo à incerteza do incerto.

 

Vem ao meu encontro, ao encontro do que fomos.

 

Vem ao encontro da infância feliz que me deste.

 

Vem. E vamos ficar lá. Para sempre.

 

Serei eternamente criança apenas para te poder ter ao meu lado.

 

Ao lado de todos nós.

 

Ao lado dela.

 

 

Custa dizer que morreste, mas ainda mais admitir que te perdi.

publicado por ... às 18:44 | link do post | comentar