(Des)ilusão

Não te vou dedicar um livro.

 

Não te vou dedicar um filme.

 

Não te vou dedicar um texto.

 

Não te vou dedicar sequer esta curta.

 

Já não há nada para ti.

 

 

Ainda há raiva.

 

Muita.

 

Não de ti, mas de mim.

 

Raiva por ter gostado de ti tão facilmente.

 

Raiva por ter deixado que me magoasses ainda com mais facilidade.

 

 

Arrependo-me de tudo.

 

Da amizade que julguei termos construído.

 

Dos segredos que te confessei e tu espalhaste sem pensar em mim. Nem uma só vez.

 

Do que partilhei contigo; porque faz tudo doer ainda mais.

 

(Como se isso ainda fosse possível)

 

 

Na tua cabeça não cabe mais nada para além do teu ego.

 

Porque o mais importante sempre foste tu; e sempre serás.

 

 

 

E, apesar de me dizerem o que eras, eu não a quis ver.

 

Fiquei cega.

 

Recusei o ser oco e mesquinho.

 

Recusei o ser fútil e arrogante.

 

Pensei que eras diferente.

 

(Quis que fosses diferente)

 

Mas não és.

 

Iludi-me.

 

Iludiste-me.

 

Iludi-me ao ponto de sentir uma culpa que não era minha.

 

Uma dor que não merecia. Que não merecias.

 

Um peso que não existia.

 

A falta de algo que nunca foi real.

 

 

Porque a pessoa de quem eu gostei imediatamente não é real.

 

A sua amizade não passa de uma mentira.

 

Confiar nela nada mais foi que um erro.

 

 

Arrependo-me de tudo.

 

Porque tu me fizeste arrepender de cada pedaço.

 

 

Não te vou dedicar um livro.

 

Não te vou dedicar um filme.

 

Não te vou dedicar um texto.

 

Não te vou dedicar sequer esta curta.

 

Já não há nada para ti.

 

 

Nada de mau.

 

Nada de bom.

 

Apenas o vazio que não honraste preencher.

publicado por ... às 19:09 | link do post | comentar